A Flor do Céu

By Rafael • • 11 dez 2012

Oscar Maron, Jornalista e editor do Jornal Tao do Taoísmo Professor de I Ching Flor de Ameixeira

Nelson Rodrigues viveu sua infância numa época de valores nítidos, sim, dos valores precisos. Céu era céu. “Deus era Deus. O Diabo era o Diabo. Por outro lado o céu era a evidencia do sobrenatural. E quando o sujeito olhava para o alto, um arroubo subia de suas entranhas… Hoje em dia o sujeito só olha para o céu para ver se vai usar guarda-chuva e galocha”, dizia o nosso maior dramaturgo.

Há cinco mil anos atrás, o Imperador Amarelo, um dos primeiros patriarcas do Taoísmo, iniciava o texto clássico Yin Fu I Ching com o seguinte poema:

“Contemplar o caminho do Céu e praticar o seu movimento: isto é desígnio de plenitude.”

Mas como contemplar o caminho do céu? O céu é invisível, e sua força opera obscura e invisivelmente sobre as coisas que são visíveis. Deveríamos contemplar o caminho do céu (termo simbólico que significa destino) para entendermos como o mundo está evoluindo e o destino celestial acontecendo, para em seguida decifrarmos as circunstancias de nossa vida.

Observar se estamos no momento de expansão ou recolhimento e qual a situação, o momento e a circunstancia do destino para sabermos como nos conduzirmos dentro do impulso de nossa vida.

Quando o homem está confuso e não consegue contemplar o caminho do céu, através de seu coração e seu silencio interior, a consulta ao oráculo I Ching fornece a orientação.

O homem vive entre o céu e a terra. O caminho do I Ching é, então, conhecer a receptividade da terra e o movimento do céu. Assim, conseguimos participar, praticar e realizar a vida e o caminho conforme o fluxo da força criativa do céu.

Após longo tempo de estudo, experiência e influencia do oráculo, uma pessoa pode tornar-se mais sabia em suas atitudes. Por isso, o livro do I Ching passou também a ser observado como uma obra de filosofia que explica o sentido da vida e ensina caminhar em nosso Destino de forma saudável, harmoniosa e equilibrada.

O I ching ensina a contemplar o curso do céu. É a pedra fundamental do pensamento Chinês, raiz e um dos três principais tratados do Taoísmo. É essência da filosofia, teologia, alquimia, magia e de diversos ensinamentos taoístas ainda desconhecidos no Ocidente.

Existem duas escolas de estudos do destino: as mecânicas e as dinâmicas. As mecânicas são as astrológicas, baseadas em dados e referencias do movimento celeste. As respostas vêm demarcadas conforme latitude, longitude e posicionamento do movimento dos astros e das constelações. O outro grande ramo é a escola dinâmica que traz a resposta da fonte original, da consciência universal, do principio do vazio. São as escolas de Oráculo, das quais I Ching é a das mais antigas.

Os grandes mestres do Oráculo perceberam que para torná-lo mais eficiente deveriam associá-lo a dados astrológicos como complemento. E muitos mestres de astrologia perceberam que para a interpretação de um mapa mecânico chegasse ao porto preciso, muitas vezes teriam que recorrer a uma fonte dinâmica, uma resposta do mistério (Oráculo). Um símbolo tem mil possibilidades de Interpretação. Qual delas na pratica vai acontecer?

A tradição Taoísta que fez essa junção foi a escola de I Ching Flor de Ameixeira. A escola da Flor de Ameixeira foi criada pelo sábio Taoísta Sao Yuon, considerando historicamente um dos maiores estudiosos da pratica do I Ching. Seu método mistura a escola mecânica baseada em dados astrológicos, com a escola dinâmica que traz a resposta da consciência universal.

Na escola Flor de Ameixeira são utilizadas diversas técnicas de interpretação e analise: o simbolismo puro dos trigramas, hexagramas, cinco elementos no ciclo de criação e destruição, troncos celestes, ramos terrestres, a boa e a má fortuna trazidas pelas divindades que governam as constelações de acordo com a antiga astronomia chinesa, a utilização dos sinais do universo, alem de outras técnicas que superpostas conseguem captar o código das evoluções em curso e prever o destino.

Na linhagem dos antigos mestres Taoístas, depois de tanto consultar, ler, meditar, e refletir sobre o I Ching, os mestres incorporaram o Oráculo no cérebro, no sangue, nos ossos, até chegar ao ponto de não mais consultá-lo, respondendo exatamente o que ele responderia, porque o mestre, absorvendo o conteúdo do I Ching, tornou-se um homem oráculo.

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