Imperador Amarelo – 2.697 AC

By Rafael • • 11 dez 2012

Grande Tratado Sobre a Harmonia da Atmosfera das Quatro Estações com o Espírito Humano

Os três meses da Primavera chamam-se o período do principio e do desenvolvimento da vida. As exaltações do Céu e da Terra estão preparadas para gerar; assim, tudo se desenvolve e floresce.

Após uma noite de sono, as pessoas devem levantar-se de manha cedo, caminhar vivamente pelo pátio, soltar o cabelo e tornar mais lentos os movimentos do corpo. Procedendo assim podem realizar o seu desejo de viver saudavelmente.

Durante este período, o corpo deve ser encorajado a viver e não a ser morto; devemos ceder-lhe livremente e não lhe tirar nada; devemos recompensá-lo e não castigá-lo.

Tudo isto está em harmonia com a exaltação da Primavera e tudo isto é o método de proteção da nossa vida.

Os que desrespeitam as leis da Primavera serão punidos com mal do fígado. A esses o Verão seguinte reservará arrepios e mudanças más. Assim, terão pouco com que apoiar o seu desenvolvimento no Verão.

Os três meses de Verão chamam-se o período do crescimento luxuriante. As relações do Céu e da Terra misturam-se e são benéficas. Está tudo em flor e começa a dar fruto.

Após uma noite de sono, as pessoas devem levantar-se de manha cedo. Não devem cansar durante o dia nem consentir que seu espírito se irrite.

Devem permitir que as melhores partes do seu corpo e do seu espírito se desenvolvam; devem permitir que o seu hálito se comunique com o mundo exterior e devem proceder como se amassem tudo quanto existe exteriormente.

Tudo isso está em harmonia com a atmosfera do Verão e tudo isso é o método de proteção do nosso desenvolvimento.

Os que desrespeitam as leis do Verão serão punidos com mal do coração. A esses o Outono trará febres intermitentes. Assim, terão pouco apoio para as colheitas outonais e sofrerão de doença no solstício de Inverno.

Os três meses de Outono chamam-se o período de tranqüilidade da nossa conduta. A atmosfera do Céu é intensa e a atmosfera da Terra é desanuviada.

As pessoas devem deitar-se cedo e levantar-se cedo, com o cantar do galo. Devem ter o espírito em paz, a fim de minimizar a punição do Outono. Alma e espírito devem unir-se para que a exaltação do Outono seja tranqüila, e para conservarem os pulmões puros as pessoas não devem dar expansão aos seus desejos.

Tudo isto está em harmonia com a atmosfera e tudo isto é o método de proteção da nossa colheita.

Os que desrespeitam as leis do Outono serão punidos com um mal pulmonar. A esses o Inverno trará indigestão e diarréia e, assim, terão pouco apoio para armazenamento do Inverno. Os três meses de Inverno chamam-se o período de fechar e armazenar. A água gela e a terra estala e abre fendas. Não devemos perturbar o nosso Yang.

As pessoas devem deitar-se cedo e levantar-se tarde, esperar que o Sol nasça. Devem reprimir e ocultar os seus desejos, como se não tivessem nenhum objetivo interior, como se estivessem em tudo satisfeitas. As pessoas devem tentar fugir ao frio e procurar calor, não devem transpirar pela pele e devem privar-se da exalação do frio.

Tudo isto está em harmonia com a atmosfera do Inverno e é o método de proteção do nosso armazenamento.

Os que desrespeitarem as leis do Inverno sofrerão de uma mal dos rins (testículos); a eles a Primavera trará impotência e produzirão pouco.

O hálito do Céu é puro e leve. O Céu mantém sempre a sua virtude primitiva e, por isso, nunca se desarmoniza. Se o Céu se abrisse por completo, o Sol e a Lua nunca seriam luminosos, o mal chegaria durante este período de vazio, a atmosfera de Yang fechar-se-ia e a Terra perderia a sua luminosidade, nuvens e nevoeiro não poderiam sofrer mudanças, e, conseqüentemente, o orvalho branco não cairia e a circulação dos elementos naturais não se comunicaria à vida de tudo na Criação. A esta situação chamar-se-ia “não-doadora”, toda a vegetação pereceria. Além disso, o ar nocivo não desapareceria, vento e chuva não seriam harmoniosos, não cairia orvalho branco e a vegetação jamais voltaria a florescer. Haveria sempre ventos violentos e chuvaradas súbitas, e o Céu, a Terra e as quatro estações seriam incapazes de se proteger entre si, perderiam o Tao e não tardariam a ser destruídas.

Os sábios respeitavam as leis da natureza, e, por isso, o seu corpo estava isento de doenças estranhas; não perdiam nada do que tinham recebido da Natureza e o seu espírito de vida nunca se esgotava.

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