Meditação

By Rafael • • 11 dez 2012

Nesse pequeno trecho do tratado clássico “Discussão sobre Meditação, Mestre Dzen I mostra como através da fixação da quietude o praticante rompe com a dimensão do universo para entrar no vazio, onde existe a potencialidade de todas as criações.

Mestre Dzen I 647 a 735d.c. Mestre Taoísta da Dinastia Tang

Jornal Tao do Taoísmo – n. 11 índice

A “Mente” é o regente do corpo. É o comando dos “Cem Espíritos”. A quietude da mente pode criar a inteligência. A inquietação da mente pode causar a confusão. No interior de uma ilusão confortável, o difícil é obter a autocrítica. Dentro do mundo da intenção e do festejo, quem seria capaz de compreender a falsidade e a impermanência do ser? Pois, os apegos e a insensatez da mente estão sempre relacionados às referências nas quais estão apoiados.

Se a convivência com a vizinhança já pode proporcionar modificações nas atitudes pessoais e se a seleção de amizade já pode melhorar o caráter do indivíduo, então, para libertar o corpo do mundo da vida e da morte e para situar a mente no centro do Sublime Caminho é necessário abandonar as outras atividades e permanecer somente no próprio caminho. Por isso, no princípio da aprendizagem do Tao é necessária a tranquilidade para a meditação, recolhendo a mente, afastando-se do mundo externo e colocando-se no estado de inexistência. E justamente por estar no estado de inexistência e por não estar apoiado em algo, o praticante naturalmente irá penetrar no Vazio Interior, unindo a mente ao Tao.

Dizia a Sagrada Leitura: “O interior do Supremo Caminho é um silêncio-não-existência”. A manifestação do nosso Espírito é ilimitada e, igualmente, a mente e o corpo. O Tao é a origem do corpo e da mente, mas o Espírito do Coração do homem já se encontra poluído há muito tempo, no auto-abandono e na profunda ignorância, distante da sua origem. Por isso, a purificação do “Coração” e o despertar do “Espírito Primordial” se chama a restauração do Tao. O fim do auto-abandono e a união ao Tao, em paz, dentro do seu Caminho se chama o Retorno à Origem. Permanecer sem se afastar da “Origem” se chama a Fixação na Quietude. Um longo período de “Fixação na Quietude” pode eliminar as doenças (físicas e espirituais) e recuperar a vitalidade. Recuperando a vitalidade e dando continuidade, naturalmente se encontrará a Sabedoria e a Constância. Através da “Sabedoria” não há nada que não possa ser iluminado. Na “Constância” não existe a impermanência e a morte. Estes são os princípios iniciais para libertar-se da prisão da vida e da morte – Seguir o Caminho do Coração em Paz e Valorizar o Princípio do Desapego.

O Tao Te Ching diz: “Apesar da diversidade dos seres, cada um deles pode retornar à sua raiz; o regresso à raiz se chama Quietude; Quietude se chama Retornar a Viver; o Retornar a Viver se chama Constância; conhecer a Constância se chama Iluminação”.

1. “Ascensionar” significa deixar-se a vida mundana e elevar-se ao nível de Divindade.

Sobre o Autor

Sima, Cheng Zhen, Mestre Taoísta da Dinastia Tang é Patriarca da Tradição Shang Qin. Nasceu em 647d.c., no condado Wen, província Ho-Nan, na China e ascensionou1 no mesmo país, no ano 735d.c. Demonstrando desinteresse pela carreira política, comumente seguida pelos intelectuais de sua época, dedicou-se desde muito jovem à aprendizagem dos ensinamentos do Taoísmo. Recebeu de seus Mestres os nomes iniciáticos de Zi Wei e Tao In e o título Bai Yun Zi (Senhor da Nuvem Branca). Encerrada a fase de formação, após longos anos de estudos no Monte Song San graduou-se como calígrafo, músico, teólogo taoísta, Mestre de Meditação, de Ritos e Cerimônias e de Magia, iniciando então uma fase de peregrinação, até fixar habitação no Monte Tien Tai. Alcançou em vida nível de grande prestígio no meio da alta nobreza e depois de sua ascensão recebeu o título de MESTRE DZEN I do próprio Imperador da China.

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