O Tai Chi Chuan e O Salto da Águia

By Rafael • • 11 dez 2012

Com a constância, com a incorporação da sequência de movimentos, o praticante estará livre como a águia para o grande vôo do Tai Chi.

Bruno Kelson Professor de Tai Ji Quan (Tai Chi Chuan) – Sociedade Taoísta do Brasil

Jornal Tao do Taoísmo – n. 12 índice

A prática do Tai Ji Quan (Tai Chi Chuan), com seus movimentos lentos e ritmados e sua respiração suave e profunda, somados a seus ensinamentos posturais, energéticos e filosóficos pode ser para o praticante um meio de alcançar a boa saúde e a longevidade. Mas ela pode ser infinitamente mais do que isso.

Poucos praticantes dessa centenária arte marcial têm consciência da potencialidade desse poderoso instrumento. A grande maioria dos praticantes utiliza o Tai Ji Quan (Tai Chi Chuan) somente como uma válvula de escape das tensões do dia-a-dia, mas o propósito mais elevado do Tai Chi Chuan é despertar o praticante para a grande integração cósmica. Não somos apenas um corpo físico. Fazemos parte de um fluxo infinito de energia. Os movimentos dessa arte, nos conduzem de volta a nossas origens, de volta ao Tao.

O desejo de alcançar metas mais elevadas na prática do Tai Ji Quan (Tai Chi Chuan), já é um primeiro passo nessa direção, que é como o pulsar do pássaro no penhasco nos momentos que antecedem seu grande salto.

A águia, por exemplo, é um animal que vive até mais ou menos 40 anos de idade, se ela respeitar certas normas de conduta em relação aos seus e em relação a si mesma. Ela é cuidada pelos pais até mais ou menos 1 ano de vida. À ave é ensinado nesse período, com muita paciência e dedicação, como comer, voar, caçar, procriar e, principalmente, como ser independente, para que ela própria possa aprender sozinha com a vida e mais tarde passar esses conhecimentos a seus descendentes.

Quando um pássaro cresce, chega um momento em que não consegue mais ficar no ninho, tem vontade de voar. Sua vontade chega mesmo antes que ele esteja pronto para voar. Então, ele fica como que pulsando num penhasco, querendo voar, inseguro porque não sabe se é capaz, se a hora é certa. Falta apenas saber reconhecer o momento em que precisa tomar a decisão de se jogar no espaço. Isso faz parte do seu destino. O problema é ter a sabedoria de reconhecer o momento certo para se tomar uma atitude, para agir. Um pássaro pronto para voar tem que voar, assim como a fruta madura tem que cair da árvore.

Assim, aos 5 meses de vida, a águia é conduzida para fora do ninho pela sua mãe, que está plenamente consciente da qualidade do seu ensinamento. Esse é o momento do salto do penhasco rumo à liberdade. Está apta a voar e alcançar as alturas celestiais. Desse momento em diante, ela estará por conta própria.

De acordo com o Yi Jing (I Ching), e aplicadas ao plano humano, essas regras indicam ao praticante de Tai Ji Quan (Tai Chi Chuan) o caminho para o grande êxito. Ele vai galgando seu caminho rumo aos céus. Aqui se indica que o caminho para o sucesso consiste em apreender e realizar. Cada etapa alcançada, então, torna-se preparação para a seguinte. O tempo já não constitui um obstáculo e sim um meio para atualizar o que permanecia potencial.

O praticante de Tai Ji Quan (Tai Chi Chuan) deve ter consciência de que seu desenvolvimento deve avançar gradualmente, passo a passo. Seu caminho deve ser do aprimoramento do seu próprio ser. O instrutor deve iluminar e descortinar o caminho do aprendiz, para que, esse sim, possa descobrir e escolher seu próprio caminho.

No início, o praticante não deve se preocupar com a energia ou mesmo com o momento do grande salto. Ele deve simplesmente aprender seus movimentos de forma mecânica. Ele estará aprendendo uma coreografia de movimentos. O aprendizado deve ser realizado dentro do seu tempo. Com a constância, com a incorporação da sequência de movimentos, ele estará livre como a águia para o grande vôo do Tai Ji Quan (Tai Chi Chuan). Quando a fonte brota, não sabe a princípio para onde se dirigirá. Ela simplesmente flui.

Portanto, através da prática do Tai Ji Quan (Tai Chi Chuan), o praticante pode ir muito além dos penhascos. A escolha de permanecer no ninho, voar somente na altura da copa das árvores ou alcançar os céus, será inteiramente sua.

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