Pergunte ao I Ching

By Rafael • • 11 dez 2012

Oscar Maron, Professor e consultor, Método de I Ching Flor de Ameixeira, Sociedade Taoísta do Brasil

Qual é a cor do cavalo branco de Napoleão? Tudo bem. Essa é uma questão de fácil solução, mesmo assim muita gente já caiu do cavalo na hora de responder. Se as questões mais simples e óbvias muitas vezes nos confundem, imaginem os enigmas e desafios colocados diante de nós pelas circunstancias do destino.

Devo investir nesse relacionamento? É favorável mudar de área profissionalmente? De que maneira agir para conseguir meu objetivo? Como avaliar minha condição espiritual?

Como e em qual momento devo utilizar devidamente o Yin e o Yang, o avanço e o recuo? A minha natureza no momento é Yang? Ou seja, devo agir com vigor, expandir meus movimentos? Ou estou em fase Yin, de quietude, retração e introspecção? Diante da atual circunstancia tomo uma atitude de avançar/Yang, ou de recuo/Yin? Existem circunstancias próprias e impróprias para tanto para a ação quanto para o repouso. Devo expandir e aproveitar a circunstancia ou me recolher e cultivar a vida?

Essas circunstancias, encruzilhadas e acontecimento em nossa vidas, se acham representadas nas mudanças, ou linhas do I Ching. O I Ching, também chamado de tratado das mutações, é a pedra fundamental do pensamento chinês. Entre as seis mil obras do cânon taoísta, é um dos três principais clássicos: o I Ching é considerado a raiz; o Tao Te Ching, o tronco; e Nan Hua Ching, a flor do taoísmo.

Dentro da concepção taoísta, o I Ching é a chave para a compreensão do mecanismo universal. Ou seja, o Tao (Absoluto) se manifesta através da estrutura e dinâmica dos símbolos/hexagramas que compõem o I Ching. Por isso, no taoísmo, o I Ching é considerado a chave para todos os mistérios.

No ocidente, o I Ching é conhecido pela sua característica de oráculo e obra filosófica. É estudado e consultado através da tradução do sinólogo e pastor Richard Wilhelm. Apesar dos méritos da tradução, ele não conseguiu se desembaraçar de seu quadro de referencias protestante. Com isso, importantes informações, inúmeros aspectos, precisamente reveladores para o simbolismo oculto, lhe escaparam. Alem disso, divulgou uma técnica de consulta e interpretação incorretas.

Na verdade, os antigos mestres taoístas só concediam “iniciação” completa e correta da interpretação do oráculo do I Ching à iniciados na pratica espiritual taoísta, pois toda religião, sua prática, seus conteúdos, tem interpretação dentro do ‘significado funcional e dinâmico de seu sistema.

O I Ching é a base da alquimia, teologia, medicina, ciência, filosofia e arte. Nele estão contidos inúmeros conhecimentos iniciáticos ainda desconhecidos no ocidente. Um desses conhecimentos (ensinado na Sociedade Taoísta do Brasil) é o método de I Ching da Flor de Ameixeira. A Flor de Ameixeira combina em sua técnica de analise, alem dos símbolos/ hexagramas do I Ching, os cinco elementos da medicina tradicional chinesa, dados astrológicos, divindades e constelações da astronomia clássica taoísta. O método Flor de Ameixeira vem da mais remota antigüidade. Foi aperfeiçoado de maneira definitiva pelo monge taoísta Shao Young entre anos 1000 1 1060 DC. Shao Young era fascinado pelo I Ching e um de seus maiores estudiosos. Dentre seus conceitos funcionais está o valor essencial que ele dá ao I Ching como obra de oráculo e compreensão da vida. Isso, posteriormente, inspirou os intelectuais a o utilizarem como meio de desenvolver uma serie de pensamentos e filosofia. Ou seja, em primeiro lugar, livro do oráculo, e livro de filosofia como conseqüência. Shao Young era de extrema precisão no domínio do I Ching. Era tão eficiente que não havia nada que não pudesse interpretar. Não havia uma interpretação que falhasse. Era tao fascinado pelo I Ching que escreveu os textos clássicos em ideogramas grandes em todas as paredes de sua casa. Em qualquer parte que sentasse, estava como os versos, julgamento, imagens e linhas do I Ching sempre a sua frente.

A mulher dele ficou completamente injuriada, ela odiava o I Ching… Então, aconteceu a seguinte historia: com o desenvolvimento do conhecimento, Shao Young chegou ao ponto de acertar todas as questões sobre o destino da pessoas, com pleno domínio do destino do homem. Num dia, sentado em frente a sua mesa, olhando um vaso de flores, pensou:

– Será que os objetos também têm destino? Qual o destino desse vaso?

Em seguida, jogou o oráculo com o método que desenvolveu. E o oráculo respondeu que o vaso iria se quebrar ao meio dia. Como era de manha cedo, sentou-se animado em frente ao vaso.

Não tomou chá, não fez nada. Sua mulher já estava furiosa e chamou:

– Shao Young, venha almoçar. Está na hora!

– Estou muito ocupado.

E a mulher, impaciente, perguntou:

– Está tão ocupado com o que?

– O oráculo disse que o vaso vai quebrar hoje, ao meio dia.

Agora, já é quase meio dia.

Furiosa, ela respondeu:

– Ah, é? Vou mostrar a você como vai quebrar!

E… plaft! Arrebentou o vaso no chão.

Súbito, Shao Young sentiu “estalo” na cabeça!…

– O Destino sabia que eu ia jogar o oráculo? Ou eu posso, dinamicamente, alterar o destino?

Chegou, então, à conclusão que não só o oráculo interpreta o destino, como a intervenção do oráculo também faz o destino. Todas as coisas possuem um destino “fatal”, porem dinâmico. Havendo intervenção, a fatalidade será de acordo com o tipo de intervenção. Ou seja, a fatalidade existe, mas é dinâmica. Dependendo da intervenção na situação, pode mudar.

Tanto o oráculo do I Ching Flor de Ameixeira como o convencional (com varetas ou moedas) nos ajudam a entender melhor porque as coisas estão acontecendo, o que devemos fazer, quais as decisões adequadas. A consulta ao I Ching é um poderoso instrumento para analise, orientação e previsão.

A parte mais intrigante do I Ching é a possibilidade de vivenciar o destino através de uma intervenção intencional e consciente. Através da consciência é possível mudar, melhorar, transformar a vida e o destino através de atitudes sábias.

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